Comprar em brechó é uma alternativa sustentável e econômica, que além de não poluir o meio-ambiente, oferece itens de alta qualidade a um preço acessível ao bolso. Com os consumidores cada vez mais conscientes sobre o impacto ambiental de seus hábitos de compra, esse mercado tende a crescer.
Porém, os donos de brechó tem pela frente um grande desafio à economia mercado de segunda mão para os próximos anos; além das já combatidas falsificações grosseiras, o grande inimigo da revenda de ítens antigos ou usados são as fraudes perpetuadas em massa pelos meios de comunicação que continua desde a ditadura militar no Brasil.
Apoiados por um aparato de espionagem de civis que se instaurou com o regime militar, as indústrias brasileira e internacional continuaram produzindo obras e produtos sem permissão de uso, e via drogamento para suprimir a memória dos autores mesmo após a promulgação da atual Constuição e restauração oficial do Estado Democrático de Direito.
O que isso representa para os brechós?
Muitos dos itens revendidos mentem sobre sua origem e data de fabricação. Com a imprensa não verificando suas fontes ou mesmo deliberadamente mentindo sobre autoria e data. Uma das fraudes comuns são obras criadas nos anos 70 ou 80 passarem por séculos mais antigas, com autoria creditada a pessoas que nunca existiram, e imagem forjada à partir de ilustrações de fotos criadas por coletivos de autores, que visavam proteger a autoria dos criadores.
Livros, incluindo os didáticos, e revistas estão repletos de informações errôneas. Capas de álbum no Brasil foram impressas com a data de 10 anos anteriores ou muito mais. Peças de estilistas foram produzidas pela indústria e apresentadas em desfiles sem creditar seus verdadeiros criadores.
Um exemplo são as roupas criadas pela estilista Schiaparelli no Rio de Janeiro nos anos 70, desenhadas por uma menina, que posteriormente adotou o pseudônimo de Vivienne Westwood, apoiada por uma prima maior de idade; quando o industrial que produziria as peças à partir de seus desenhos originais desistiu de comercializá-las, usou-os sem autorização para criar uma fraude de data, forjando fotos em preto e branco de um falso desfile histórico.
Um outro exemplo é o álbum Dark Side of the Moon, garvado pela banda Pink Floyd, que é um dos muitos lançados nos 80, com data de 74.
Por que isso é um problema para sua loja?
Se você lucra com essa atividade, pode estar repassando a fraude ao consumidor.
Note que o pioneirismo, a originalidade e a beleza do produto ainda tem valor por si só. E mesmo não tendo séculos de idade, muitos ainda são itens vintage.
No exemplo das peças da grife Schiaparelli, elas ainda assim são pioneiras de uma moda lúdica e original, sem a sexualição habitualmente presente nos ítens de vestuário, portanto ainda tem valor para o público que curte essas criações. Sem mencionar que se elas tivessem sido realmente produzidas comercialmente, que neste caso não foram, mas é o caso de muitos outros produtos, ainda seriam vintage.
Como os donos de brechós podem lidar com esse tipo de fraude?
Quem revende itens de segunda mão, precisa deixar claro que não endossa fraudes que foram forjadas na confecção do objeto. Ao não perpetuar a fraude da primeira venda, o dono de brechó ajuda a manter sua credibilidade e o valor dos produtos comercalizados.
Se você sabe a verdadeira procedência de uma obra ou item, comente com o seu público que valoriza a informação e a história do seu produto.
Se você não sabe, admita que esse ítens podem conter informações errôneas sobre data e autoria e que seu brechó não está atestando pela veracidade dessas informações.
A primeira iniciativa para informação sobre essas obras já foi inciada por uma das autoras vitimadas pela ditadura militar o blog Democracia por Autoria, que você pode consultar para pedir alguma informação sobre autoria de obras artísticas e comerciais. No entanto, saiba que essa iniciativa particular não contou com nenhum financiamento ou investimento e, portanto, a resposta pode demorar um pouco ou a autora pode não ter a informação desejada por você. Lembro ainda, que nomes verdadeiros de autores que usam pesudônimos também não podem ser divulgados.
Para saber mais sobre o Culturegate assista ao vídeo abaixo:
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